Thursday, September 30, 2010

As mães de antigamente e as mães de hoje



As mães de agora são mais estressadas do que as mães dos anos 60, 70, 80... Essa observação foi feita por duas mães de amigas minhas. Elas comentaram que, hoje em dia, a gente fica muito preocupada com a alimentação, em brincar junto, em colocar em aulinhas disso e daquilo, em não traumatizar etc. Enfim, segundo elas, antes as coisas eram mais tranquilas, a filharada ficava brincando sozinha, não tinha essa neura toda.

Pois é. Se hoje temos acesso a inúmeras facilidades, como a fralda descartável, por outro lado somos inundadas com tantas informações. Acho que isso nos estressa.

Bom, comentei isso com a minha mãe e ela concordou plenamente. Então pedi que ela escrevesse um post falando sobre esse assunto. Aí está. Gracias, mãe!




Amada Filha, me perguntas se posso responder como foi criar filhos nos anos 60, 70 e 80.

Como responder?!

Em primeiro lugar, devo dizer que quando grávida eu me sentia "divina, maravilhosa, poderosa".

Só consegui entender esse sentimento quando participei de alguns grupos que trabalhavam e estudavam questões sobre o feminino. Li alguns livros sobre mulheres e arquétipos femininos (As Deusas e as Mulheres) o arquétipo da Grande Mãe, a Mãe Divina, me deu a compreensão, que eu não possuía, por ocasião das minhas gestações. Nesse momento eu já havia ultrapassado essa fase, os filhos adolescentes. Eu estava perto dos meus quarenta anos.

As informações vinham a galope, rápido demais e as mudanças em passo de tartaruga.

Era difícil, não havia uma bússola, procurei livros e terapia individual, muito das coisas que eu transmitia aos meus filhos ainda eram questionadas por mim.

Dia desses num aeroporto, vi diversos títulos para pais e adolescentes, orientações e questionamentos. Antes, tudo era coisa de doidivana.

Agora, estou na fase dos netos. Encontrei alguns livros, quem sabe com eles eu consiga me reinventar?????

Bem, já deves ter notado a dificuldade da minha geração entender toda essa parafernália...

Escrevia-se uma carta, letra desenhada, levava uns quinze dias para chegar ao destino e um outro tanto, para a resposta. Telefone, só para os ricos. Para a classe média e pobre, o orelhão.

Hoje as crianças parecem que nascem com computador de bordo. Os dedinhos vão direto para a tecla certa, sabem colocar e escolher DVD, têm um senso de direção incrível! Fico maravilhada quando, Pedro, meu neto que tem quatro anos e meio, me convida para jogar videogame. Diante da minha resposta de que não sei, mais do que depressa diz: - Vó, eu te ensino; vejo aqueles dedinhos dedilhando com destreza.

Na idade dele, eu ouvia rádio na casa do vizinho, histórias contadas diariamente, aquela voz me fascinava.

Venho de uma família grande, éramos cinco filhos, meus pais lutavam com dificuldades para sustentar a prole. Brinquedos só no Natal. No dia das crianças ganhávamos uma maçã, pastel, bolo feito pela mãe. Páscoa, lembro de ver a "fábrica" do coelhinho na cozinha de nossa casa.

Nos aniversários, suco, bolo, pipoca... Colégio, lápis de cor era luxo, caderno simples, régua e borracha, até porque não existia nada no mercado.

Vieram meus filhos. O primeiro quando eu ainda adolescente. Lembro que eram quarenta fraldas brancas, precisava lavar continuamente, para dar vazão aos inúmeros xixis e cocôs dos primeiros meses.

Eu digo sempre que é tão cômodo ter filhos hoje, fraldas descartáveis, mamadeiras que vem prontas, inclusive com a medida. Quando entro numa loja para bebês, fico imaginando como teria sido minha vida com tudo à minha disposição.

Se de um lado foi exaustivo fisicamente, do lado psicológico amedrontava. Não existiam livros sobre criação de filhos. Não havia preparação para os pais.

No tempo dos filhos pequenos eu só tinha para me socorrer uma revista, parece que de tiragem mensal, Pais e Filhos.

As pessoas tinham filhos e pronto!

Minha família me chamava de louca e metida a besta por estar sempre questionando. Eu precisava saber outras formas de educar, de ensinar. Muito da forma como fui criada repassei para meus filhos, pois eram válidas, outras não gostaria de ter repetido, quando pensei nisso, já o havia feito, já repetira comportamentos...

Durante muito tempo moramos no interior, o que foi ótimo para as crianças. Sempre morei longe de minha família, a do marido não era de conviver, então, fizemos muitos amigos. Tios emprestados, amorosos, que deram suporte para as crianças e também para mim, sentia-os como irmãos mais velhos.

Aos domingos nos reuníamos na casa de alguém, cada família levava um petisco, enquanto discutíamos sobre política, a pílula, religião, educação de filhos, relacionamento dos casais, e, quando podíamos ir, sobre algum filme que passava no cinema local.

As crianças, no quarto, brincavam e também brigavam. Uma delas era conhecida por "dar pau" nas demais crianças. Tios e pais precisavam interferir, as crianças que não obedeciam aos reclamos eram ameaçadas de não participarem na próxima vez.

Fazíamos piqueniques, nos aniversários uma família ajudava a outra a preparar a festa.

Dias desses, recebi um e-mail, contradições das mães de antigamente, ri muito é hilário. Ao mesmo tempo me senti triste, tudo aquilo tinha feito com meus filhos...

Sei que hoje temos uma parafernália ao nosso alcance, literatura, ajuda médica, psiquiatras e psicólogos, terapeutas, pedagogos, mais a parte virtual, informática, babás eletrônicas etc.

Não existem formulas prontas, hoje, a maioria dos casais se prepara, deseja, opta, em ter filhos, assim como se empenham em fazer um doutorado, investir em imóveis.

Educar dá trabalho, ensinar dá trabalho, desgasta. Ora se somos capazes de fazer com os outras pessoas no trabalho, maior deve ser o motivo de assumirmos postura de paternidade/maternidade responsável, cooperativa. A criança não é só filho da mãe ou do pai, ambos devem ser presentes, e quando ausente fisicamente, contornar a questão do tempo.

Tive muitas dificuldades com os filhos, quando adolescentes, fomos morar na capital. De outra perspectiva, foram essas as dificuldades que fizeram meus filhos crescer, ganhar maturidade.

Lembro que uma vez tu, Adriana, pelos teus nove anos, foste te queixar para o pai e irmãos que um colega a tinha empurrado (ou algo parecido), recordo que deixei todos de olhos arregalados quando disse que deverias reagir, pois nem sempre terias alguém para defendê-la.

Não deves ficar preocupada se a Paola reagiu, será que nos outros dias não foi o contrário, e ela se sentiu confiante por poder reagir, pois estavas junto?

Um grito é como uma palmada, ok, certo.

Somos de carne e osso, nervos, sentimentos. Se ocorrer de gritar, realmente, tenta sair de cena, vai fazer xixi, volta e conversa.

Na vida adulta encontramos, seguidamente, chefes, superiores, colegas, que perdem toda a compostura e gritam. Se não soubermos reagir, estaremos dando força a esse tipo de gente. Não acho que devamos sair no braço, mas um chega prá lá, faz bem para sua auto estima. O respeito é algo que deve ser transmitido pela família.

Quando ficar corriqueiro gatunar os amiguinhos, então será sintomático, fora disso, quem nunca brigou?

E se nas reuniões, festinhas, alguém oferecesse drogas aos nossos filhos?

Os jovens saíam para a balada, e os pais ficavam a rezar pedindo proteção para os filhos contra assaltantes, drogas, acidentes blá, blá, blá.

Por mais que procuremos informações, ser pais presentes, ativos, tem um momento que é necessário largar para o mundo, com a possibilidade que sempre terão o apoio amigo da família, serão sempre amados.

Limites - os pais de um modos em geral, estão com medo de colocar limites, sabem que os danadinhos, sabem ler e escrever, na primeira oportunidade no super se jogam no chão. Quando adolescentes, acho que foi a fase mais dificil para mim , e de um modo geral, para os pais da minha geração. O que conceder ou não. Até aonde pode ir, as consequências.

Até os sete anos dizem que tudo que precisamos para a vida, é depositado, transmitido, ensinado, depois, poderá ser mera repetição. Amo meus filhos, sei que, conscientemente tentei transmitir o que há de melhor dentro de mim, as falhas sempre ocorrerem, então sempre disse que deveriam correr atrás do prejuízo, para se transformar e redirecionar o caminho..

Prometi ao Lucas, meu neto mais velho (19 anos) , então com dez anos, que, se saísse viva de uma fase difícil com filhos adolescentes e crise no casamento, eu compraria bicicletas para andarmos juntos no parque.

Eu não sabia andar, nunca tive bicicleta, sai desajeitada e ele atrás de mim gritava : vai Vó, vai Vó, estás ótima, eu estou te cuidando!!! Chorei muito, a minha criança estava sendo cuidada pelo meu neto!

Adoro ler o teu blog Adriana, foi a forma que também encontrei para poder estar mais junto de ti e saber noticias dos netos.. Paola e Diego.

Algumas vezes me aventurei por outros blogs, outro que gosto muito é o da Roberta - Meu Projetinho de Vida - dou boas risadas. Fazem lembrar de situações já vividas .

Adriana te admiro profundamente, pela mãe dedicada que és. Saiba que, acima de qualquer invenção, lançamento na mídia, não será melhor que beijos e abraços, comer pipoca, lamber sorvete e saber que sempre seremos amados, incondicionalmente, pelos nossos pais.

O que fica é o AMOR !

Beijos no coração, te amo, Mother.

15 comments:

  1. Lindo seu Post Adriana, e chorei com o que sua mãe escreveu. Muito Lindo! Parabéns.

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  2. lindo lindo lindo.
    demais

    bjo bjo

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  3. Linda a tua idéia de pedir pra tua mãe escrever, lindo o que ela escreveu...
    E o assunto sempre me põe pra pensar! Não se pode negar que hoje está mais cômodo criar filhos, de alguma maneira (ou várias), mais fácil... Mas me questiono se o excesso de informações às vezes não pode até ser prejudicial! Porque se corre o risco de querer seguir todas as “regras” e “recomendações” de especialistas (ou não) e, no meio disso, se perder de si mesmo! E ser si mesmo, pra educar um filho, é o mais importante, num é? Errar está incluído em ser si próprio. E em ajudar a compreender que o filho também, inevitavelmente, erra, assim como nós, independente da quantidade de informações... E que vai ser ele mesmo e, inevitavelmente, frustrar nossas expectativas – e isso pode ser tão bonito, porque diz que ele simplesmente é quem ele é. Dá pra dizer que, com as informações e tecnologias disponíveis hoje, os filhos são “melhor” criados que antigamente? Acho que não dá! Vide nós mesmos, vide nossos pais... E precisamos também pensar o que é esse “melhor”! Uma educação que deixe os filhos “mais” inteligentes? “Mais” felizes? Adaptáveis? Ou mais capazes de se cumprirem como eles mesmos? É, tem pano pra manga aí! Mas acho que sua mãe diz tudo quando diz que o que fica é o amor...
    Beijos!
    Natalia

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  4. Dri, que incrível esse post da sua mãe. E que honra ainda ser citada por ela, tão querida.
    Sabe que minha mãe falou exatamente isso dia desses, que no tempo dela não havia tempo pra ficar pensando em qual era a personalidade de cada filho, não tinham tempo pra ficar se cobrando tanto quanto a gente se cobra hoje. Elas simplesmente faziam - e acertavam e erravam tanto quanto nós, que nos estressamos com tudo. Porque, vamos combinar, se por um lado quando éramos criança havia uma certa negligência da sociedade em geral em relação a assuntos como segurança (andávamos sem cinto no carro) ou hábitos errados (comíamos cigarrinho de chocolate, tomávamos suco em revólver de plástico e jogávamos lixo na rua), por outro lado eles foram muito firmes pra nos passar valores sólidos que nos fizeram bons cidadãos.
    Linda, sua mãe. Adorei o que ela escreveu. Beijo beijo, tia!! E faça o favor de comentar lá no meu blog pra eu saber que você está me lendo também!!!

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  5. Querida, me emocionei muuuuuito com as palavras da sua mãe. Lindo, lindo, lindo! Dê os parabéns a ela por tanta sabedoria, bom senso e razão.
    Bjos,
    Camila
    www.mamaetaocupada.blogspot.com

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  6. Ah, invejinha de vocês e Paris!!! Ainda vou levar minha mãe pra lá também um dia, ah se vou.
    Beijos mil.
    Ps. Te mandei uma coisinha pelo correio, logo chega aí. beijos

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  7. lindo, emocionante. Eu me cobro tanto, mesmo estando 24h à disposição do Arthur. Ainda ontem estava me qustinando sobre tanta informação e preocupação... eu brincava sozinha, minha mãe estava sempre cuidando da casa, e hj fico com a consciência pesada se deixo o Arthur brincando só (ao meu lado!!) na sala, enquanto navego na internet... fazer o que, né? Coisa de mãe contemporânea... foi ótimo ler as opiniões da sua mãe e lembrar que tudo pode ser mais simples e menos estressante.
    Um beijo enorme pras duas!!

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  8. Gente Amada,
    Adriana passou e-mail dizendo que eu tinha comentários, positivos, não acreditei!!! Fiquei super feliz, não me animava escrever comentando. Aprendi postar, de agora em diante nos encontraremos, bjs, Beatriz.

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  9. Adriana que lindo, amei as palavras da sua mãe, que coisa querida, verdadeira, real, atual, repassei para todas as minhas amigas e mulheres da família, AMEI AMEI AMEI um super beijo querida e obrigada por compartilhar o melhor da sua mãe e de vc também claro! beijos!

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  10. Adriana,
    Fiquei emocionada com o depoimento aberto e sincero de sua mãe!
    Acho que uma coisa importantíssima que ela disse e que aprendi na terapia, no meio das angústias da maternidade foi que com todos os erros e acertos, somos a melhor mãe que podemos ser e isso transmite nosso amor aos nossos filhos!
    Não há certo e errado e somente nós mesmas podemos ser a melhor mãe para os nossos filhos, já que fomos escolhidas por eles e os escolhemos em outra dimensão.
    Um beijo grande e parabéns pelo post!
    Gi

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  11. bergamota querida,
    fiquei tão feliz de te encontrar.
    muitas surpresas. Adorei saber de vc.
    bjs,
    flávia

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  12. Obrigado pelos comentários! Manhêêê? Pode escrever aí, viu?

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  13. Menina, é verdade mesmo! Hoje em dia a gente tem informação demais. Quantas e quantas vezes a gente se sente tentada a agir da forma que os "especialistas" consideram correto, quando o nosso instinto de mãe nos diz pra fazer de outro jeito, né? E aí entra a neura, o estresse, a sensação de estar fazendo as coisas do jeito errado (como se isto existisse na maternidade). E a sua mãe descreveu tudo tão lindamente, que deu gosto de ler!!

    Beatriz é a sua mãe?
    Se for recadinho pra ela: Dona Beatriz, a senhora pode começar a publicar lá no Ciranda do Coração, porque escrevendo bem assim, vai ter varios(as) seguidores(as).

    Bjos para as duas

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  14. Ler, lembrar e sentir saudades...

    São essas algumas das boas sensações que o aparato tecnológico de hoje propcia.

    Grande "tia Beatriz" possa ela ter certeza que as experiências aqui divididas foram de imensa importância na educação de bastante gente, entre esses eu.

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