Tem gente que não entende como nós pensamos em voltar pro Brasil e deixar as coisas boas que temos à disposição nos Estados Unidos. Tem gente que me pergunta: voltar pra ficar perto da família? Ah, mas daí vocês vão ficar perto demais das brigas e incomodações que toda família tem. Sim, é verdade. Porém, nós sentimos falta desse contato. E, mais importante, as crianças estão demonstrando que também sentem falta. E dói, viu, perceber que o seu filho sente saudade. Duas situações que ocorreram nos últimos meses:
- Fomos no aniversário da filha de uma amiga. A Paola estava sentada no meu colo e, de repente, deu um pulo e saiu correndo em direção a uma senhora que chegava na festa. Era a mãe de uma outra amiga. À distância, fiquei boquiaberta vendo a Paola abraçar a tal senhora e mostrar os sapatos novos, com um sorriso enorme no rosto. Olhei para o Moa e nenhum de nós conseguia entender o que estava acontecendo. Depois de um instante, nos demos conta que ela achava que era a avó. Essa senhora usava óculos escuros e tinha o cabelo curto, como a minha sogra. Sim, definitivamente ela achou que era a avó. Me deu um aperto no coração. Porque logo ela viu que não era a avó e tentou disfarçar como se nada tivesse acontecido. Os olhinhos, no entanto, denunciavam a frustração.
- Um casal de amigos veio nos visitar. Falei para a Paola e para o Diego que o “tio tal” e a “tia tal” estavam chegando. Não sei se eles acharam que eram os tios de verdade, digo de família, ou se simplesmente simpatizaram com esses nossos amigos. Só sei que a Paola e o Diego adoraram os dois. No dia que eles chegaram, a Paola saiu correndo e se jogou no colo da nossa amiga. Não é o tipo de coisa que ela faz. O Diego colocava os bracinhos pro alto pedindo “cócu” (colo) pro nosso amigo e chorava quando ele saía da sala. Também não é o perfil do Diego. Esse nosso amigo viajou pelos Estados Unidos e voltou no fim de semana passado, ficando aqui em casa por apenas uma noite antes de pegar o vôo pra São Paulo. Ele foi embora no início da tarde de segunda-feira e se despediu das crianças antes da soneca delas. Quando a Paola acordou, perguntou pelo “tio”. Respondi que ele tinha ido embora pro Brasil, que eles tinham se despedido mais cedo. “Não lembra, Paola?”. Ela baixou a cabecinha e uma lágrima rolou pelo rostinho. Nunca tinha visto aquilo nela. Me deu um abraço e pediu para ficar junto da mãe. Deu vontade de pegar o primeiro vôo pro Brasil.


Que aperto no coracao.... imagino como tenha ficado!!! bhs
ReplyDeleteai... nem sei oque dizer... só sei que vou passar por isso e nao estou preparada...
ReplyDeleteAi, fiquei com uma lagriminha no canto do olho ao ler o post hoje.
ReplyDeleteDificil mesmo criar filhos longe da familia.
Tata
Eles sentem mesmo! E imagino para vocês como deve ser difícil...já é complicado ter a família morando em outra cidade, como é o meu caso, imagine em outro país. bjos
ReplyDeletePaloma e Isa
Ai, me partiu o coração... A genet sofre com essa distância de casa, né?
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